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o cineart é nada além do ensaio de um aspirante a jornalista apaixonado pela publicidade, e de um publicitário com pinta de cineasta, a fim de exteriorizar o amor mútuo pela sétima arte, e de conseqüentemente dividir com quem se propuser a ler essas intermináveis linhas cheias de blá-blá-blá, um pouco deste singelo romance.
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Um dos motivos é que o blog não é somente meu e nunca foi. Eu abri com um amigo, o Felipe Mappa, um excelente escriba, e que resolveu abandonar o blog há quase um ano, ou mais. Eu tenho carregado isso aqui nas costas como se fosse meu, mas eu nunca me senti a vontade. Tanto que já tentei abrir outros blogs, o Horror Express, o Cine Groove, mas manter dois blogs sobre o mesmo assunto é besteira. Sei que isso não é motivo pra abandonar um blog, mas perdi completamente o tesão de escrever para um domínio chamado Cine Art que era uma idéia de dois amigos cuja proposta já perdeu o sentido.
Hoje, eu me vejo na obrigação de postar alguma coisa apenas pra manter o blog atualizado ao mesmo tempo em que a falta de inspiração me atormenta e prejudica a qualidade dos meus textos, que nunca foram de boa qualidade. O fato é que pra escrever um texto medíocre como este aí em baixo de Cinturão Vermelho, eu gastei um tempo desgraçado. Antes eu escreveria algo do mesmo nível, mas em questão de minutos. Há meses que isso vem acontecendo, não é de agora. Não sei se é uma crise de inspiração, mas cansei.
Infelizmente, e escrevo com sinceridade, porque já são mais de dois anos que abrimos este espaço e quase cinco usando o mesmo nome, o Cine Art não voltará a ser atualizado por mim. Encerro aqui o “trabalho” que prestei na exteriorização da paixão que eu tenho pelo cinema e que se tornou um fardo. Se o Felipe quiser algum dia voltar a atualizar, eu ficaria grato e com certeza voltaria a colaborar aqui, pois tudo teria sentido novamente.
Com certeza não vou abandonar os blogs que eu visitava e nem mesmo conseguirei ficar muito tempo sem escrever, isso eu garanto, nem que seja um monte de porcaria como tem sido, mas definitivamente será em outro espaço. Eu aviso quando esse dia chegar.
Cinturão Vermelho (2008), de David MametNão sei se vocês se lembram do Carranca. Eu publiquei alguns textos dele aqui no blog e a sua intenção sempre foi de causar controvérsia tecendo suas opiniões negativas sobre os filmes que a maioria gosta. Agora ele ataca com um blog próprio e ninguém vai ser capaz de segurar o Carranca!
Quem quiser fazer uma visitinha, é só entrar aqui.

Dentre todas as obras cinematográficas cometidas pelo pai do gore, o diretor italiano Lucio Fulci, esta aqui era justamente a sua preferida, mesmo não tendo a mesma violência extrema de filmes posteriores nem ser do gênero que o consagrou, ainda assim, Beatrice Cenci não deixa de ser um de seus trabalhos mais perturbadores. A história se passa na Itália do séc. XVI onde Beatrice, a filha adolescente de um nobre senhor feudal é abusada sexualmente pelo próprio pai. Sendo assim, ela decide assassiná-lo com a ajuda de algumas pessoas, incluindo um criado interpretado pelo grande ator cubano Thomas Milian. O filme inicia após esses acontecimentos quando uma investigação, à base de tortura, por algumas vezes, é realizada para apurar o caso, o que permite uma incrível liberdade narrativa com o material. As cenas de tortura compensam um pouco a ausência de violência e gore habitual, mesmo que isso não seja uma falta, já que o filme inteiro é uma aula de direção, enquadramento e composições estéticas que explicam a obsessão do diretor com o próprio filme.
Ray faz dois filmes dentro de um em Cinzas que Queimam. Logo no início, somos apresentados ao protagonista, o único de três policiais que se arruma para mais uma jornada de trabalho sem ajuda de uma esposa. Ele se arruma sozinho, não tem mulher nem filhos, é o policial solitário e amargurado pelo passado, típico herói do noir. A primeira metade de projeção, onde o tal policial, vivido por Robert Ryan, investiga um crime, o diretor constrói às bases do noir, com direito a todos os elementos caracteristicos, muitas ruas escuras, sombras estilizadas e uma direção primorosa que chega a utilizar de forma inusitada a câmera na mão em algumas seqüências. Até aqui já teríamos material suficiente para um ótimo filme.
Como ainda não havia publicado a minha lista como fiz nos dois anos de existencia do blog, segue a lista que eu enviei pra Liga com os meus filmes favoritos em ordem de preferência:
1. Sangue Negro, de P. T. Anderson2. Onde os Fracos não têm Vez, Ethan e Joel Coen
3. Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto, Sidney Lumet
4. Senhores do Crime, David Cronenberg
5. A Espiã, Paul Verhoeven
6. 4 meses, 3 semanas e 2 dias, de Cristian Mungiu
7. Wall-e, Andrew Stanton
8. Paranoid Park, Gus Van Sant
9. Juno, Jason Reitman
10. O Gangster, Ridley Scott
Um dos filmes mais brilhantes de Fuller, principalmente porque ele parte de uma trama policial passada no Japão que justifique preencher todo o scope com imagens refinadas esteticamente que faz questão de filmar ao ar livre nas locações, nas ruas movimentadas de Tóquio em plena década de 50 (tornando-se o primeiro filme de Hollywood a filmar no local), ao invés de utilizar estúdio como era habitual, revelando um estilo de direção que ainda viria aparecer algum tempo depois na Nouvelle Vague francesa. Me agrada muito as cores cruas e a cinematografia realista de Joe MacDonald, principalmente nas externas.
Robert Stack interpreta um agente americano trabalhando sob disfarce em Tóquio para se infiltrar numa quadrilha chefiada por um ameicano, vivido por Robert Ryan, que está incrível como vilão. Aparentemente, Fuller queria Gary Cooper no lugar de Stack, mas a sua presença não deixaria de ser notada nas ruas de Tóquio por causa da fama consolidada. Mas Robert Stack, um ator menos popular serviu perfeitamente no papel do herói humanista Fulleriano.
E agora que aprendi a brincar de tirar screenshots, não pude resistir:
Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008), de Chistopher NolanJack Nicholson já era. Ledger definiu o Coringa para o cinema. Esperem no mínimo vinte anos antes de levar o personagem às telas de novo. Talvez até lá surja alguém com capacidade dar a vida por um papel como este.
Tirando o Coringa, o que resta em O Cavaleiro das Trevas é um ótimo de filme de ação que demonstra o amadurecimento de Nolan ao conduzir com maestria uma trama grandiosa, muito mais complexa que o habitual, repleta de personagens importantes que possuem o devido espaço durante a narrativa. Além disso, todas as idéias do diretor que deram certo e errado em Batman Begins, em relação à sua visão realista, entram em perfeita sintonia em O Cavaleiro das Trevas, criando um universo verossímil onde um homem fantasiado de morcego pode sair à noite para combater o crime.
Todas essas questões sobre verossimilhança e os desdobramentos da história com os personagens têm profundidade suficiente para mais uns 10 parágrafos. Recomendo o texto do amigo Leandro Caraça, que escreveu em seu blog as melhores impressões que eu li sobre o filme.
Watchman Trailer

Finalmente parei pra assistir o maravilhoso Amantes Constantes, filme de 2005 do francês Philippe Garrel. Embora seja o único filme acessível do diretor aqui no Brasil atualmente, Garrel iniciou sua carreira lá nos anos 60 com um estilo bastante peculiar ficando conhecido como um enfant terrible do cinema francês. Já consegui outros filmes do diretor via downloads pela internet, mas por enquanto fiquemos com os Amantes Constantes, uma belíssima obra de arte que me surpreendeu muito pela sua qualidade técnica e ousadia.
É uma experiência cinematográfica das mais significantes acompanhar este épico de quase três horas de duração sobre as manifestações de maio de 1968 em Paris vista pelo ponto de vista de vários personagens, mas em especial de um poeta vivido pelo filho do diretor, o ator Louis Garrel. Apesar de servir como excelente registro das manifestações, Garrel acaba desmistificando a representação do jovem revolucionário que após os momentos de revolta, são apresentados como pessoas de esperança duvidosa, ociosas e drogadas vivendo numa furada idealização artística.
Um dos principais atrativos é a riqueza visual filmada num preto e branco expressionista pelas lentes do cinematógrafo William Lubtchansky e, por vezes, acompanhada do piano minimalista de Jean-Claude Vannier recriando de forma realista e cristalina não só a ambientação de um período passado, mas uma narrativa quase documental sobre os desdobramentos das situações vividas naquele momento, principalmente o tratamento dado ao amor que nasce entre o poeta e a escultora nesse universo.A câmera de Garrel trabalha admiravelmente acompanhando as evoluções sentimentais das quais os personagens se entregam, não somente os dois pombinhos, que é o maior leitmotiv da narrativa, mas todos os personagens em questão em suas andanças, conversas vazias, festas monótonas regadas de ópio e na dança alucinante ao som do The Kinks até chegar ao desfecho alegórico, melancólico e perfeito. O ritmo lento e a duração podem desagradar o espectador desavisado, mas é de uma ousadia grandiosa, já que dificilmente vemos nos dias de hoje um diretor com coragem de lançar um filme de três horas de duração, preto e branco e poeticamente lento como Garrel faz em Amantes Constantes.
DEEP END (1971), de Jerzy Skolimowski: Os filmes americanos dos anos setenta podem até serem responsáveis por desencadear uma das mais importantes explosões estéticas do cinema, mas um filme como o brilhante Deep End comprova que o cinema europeu nunca perdeu a força. Com tons de humor negro, trata com autenticidade temas sobre descobertas sexuais e do amor desenfreado sem nunca cair no senso comum dos filmes adolescentes americanos. Além de ser uma experiência estética fascinante acompanhar a câmera energética do diretor polonês Jerzy Skolimowski se movimentando pelas ruas atmosféricas de uma Londres cinzenta no inverno.Um Mundo Perfeito (1993), de Clint Eastwood
Galã de filmes convencionais, Kevin Costner me surpreendeu muito neste trabalho do velho Clint que, inicialmente, queria Denzel Washington como protagonista. Não seria tão surpreendente, já que a cara de bobo e o olhar distraído de Costner contribuíram bastante para o tom ambíguo que o seu personagem exigia, o que poderia soar caricato em Denzel.O filme é um road movie onde Butch (Costner), um ladrão que escapa da penitenciária, acaba tomando como refém um garoto de uns 8 anos para garantir a sua fuga, o que leva à uma jornada onde bandido e refém estabelecem uma relação que evoca seus passados, toca dois universos diferentes e estrutura um filme muito mais complexo e interessante que aparenta ser.
Sem dúvida alguma, é um dos trabalhos mais maduros de Clint Eastwood que acerta em cheio ao colocar como peça fundamental a relação dos dois personagens. A estrutura narrativa que rege todas as situações entre Butch e o garoto é de uma sutileza que poucos diretores americanos teriam a sensibilidade de conceber.
Nas mãos de um Spielberg (que originalmente estava escalado para assinar a direção) poderia se considerar um desastre. Principalmente porque um dos temas que o filme aborda é justamente uma das obsessões do diretor de E.T.: trauma fraterno. Ambos os personagens centrais o têm. Mas enquanto Clint possui sabedoria e sutileza suficiente para abordar essas questões, spielberg já banalizou o tema em seu currículo.
Notas breves...
WALL·E (2008), de Andrew Stanton: A Pixar em seu ápice cinematográfico, tanto em termos de estrutura e linguagem narrativa quanto na explosão estética da animação em computação gráfica.
O Incrível Hulk (2008), de Louis Leterrier: Ainda não havia comentado sobre o filme. Não há duvida que centrar a narrativa na ação é muito mais cabível para os produtores cujo objetivo era de arrecadar mais moeda, diferente do Hulk psicológico de Ang Lee. E ainda funciona como ótima diversão.
Conan – O Bárbaro (1982), de John Millius: O grau de exigência com os filmes, com certeza aumentou desde a ultima vez que assisti essa belezura na infância. Revê-lo depois de tanto tempo superou todas as exigências. É tudo o que um Senhor dos Anéis da vida poderia ter sido, mas não conseguiu nem chegar perto.
F for Fake (1974), de Orson Welles: Em um de seus filmes mais pessoais, Welles vomita todo o desabafo que estava entalado desde que entrou no ramo das artes, manipulando um joguinho de "verdadeiro ou falso" com o seu público desnorteado de tanto vigor cinematográfico. F for Fake é apenas mais uma, dentre as tantas obras primas de um dos maiores diretores americanos.
The Addiction (1995), de Abel Ferrara
Filmes de Junho
Lista dos filmes do mês de Junho com revisões em negrito:Robocop (1987), de Paul Verhoeven ****
Capacete de Aço (1951), de Sam Fuller *****
Baionetas Caladas (1951), de Sam Fuller ****
Profissionais do Crime (2001), Johnnie To e Ka-Fai Wai ***
Quem Bate a Minha Porta? (1967), de Martin Scorsese ***
Fim dos Tempos (2008), de M. Night Shyamalan **
O Incrível Hulk (2008), de Louis Leterrier ***
Funny Games USA (2007), de Michael Haneke ****
Cockfighter (1974), de Monte Hellman ****
Fausto (1926), de F. W. Murnau ****
Os Aventureiros do Bairro Proibido (1986), de John Carpenter ****
Conan - O Bárbaro (1982), de John Millius ****
F for Fake (1974), de Orson Welles *****
Zombie Strippers! (2008), de Jay Lee ***
Bainoetas Caladas (1951), de Samuel Fuller
Mais um bom filme de guerra de Sam Fuller. O roteiro desta vez faz um estudo de personagens menos intenso em relação a Capacete de Aço, embora ainda seja um filme bastante psicológico. Basta acompanhar o drama do cabo (Richard Basehart) com fobia de responsabilidade. É a personagem mais humana, tanto em construção quanto em essência e seus conflitos mentais são lapidados à medida em que seus superiores são abatidos em batalha e acaba ficando responsável por todo pelotão. Baionetas Caladas foi rodado no mesmo ano que Capacetes de Aço, ambos têm como pano de fundo a Guerra da Coréia, mas é justamente neste aqui que Fuller dá uma aula de como orquestrar seqüências de ação que garantem um clímax energético via montagem dinâmica e muitos closes expressivos, gerando um clima tenso que estrutura toda a narrativa durante o filme.
Cockfighter (1974), de Monte Hellman: Não chega ao nível de Two-Lane Blacktop, mas é tão bom quanto, e ainda prova que Monte Hellman teve crucial importância para o cinema independente americano nos anos 60 e 70. Cockfighter é uma obra subversiva que parte do conceito do homem em crise tentando superar seus limites trazendo um excelente Warren Oates encarnando um treinador de galos de briga.Fim dos Tempos (2008), de M. Night Shyamalan

Em determinada sequencia a câmera dentro do carro com um olhar subjetivo constrói um clima de suspense interessante mostrando escadas encostadas nas árvores enquanto o veículo vai adentrando a pequena cidade até revelar os corpos das pessoas que se enforcaram. Mas toda a atmosfera que Shyamalan cria é quebrada abruptamente com um estrondo da trilha sonora com o simples objetivo cretino de induzir o susto na platéia. Um artifício ridículo de um diretor que não confia na própria imagem.
E tudo isso é uma pena porque nas mãos de um diretor mais inteligente, o mesmo material, provavelmente, soaria menos constrangedor.

1946 | 2008
Capacete de Aço (1951), de Samuel Fuller

Mas o melhor, provavelmente, é a maneira como Fuller constrói o relacionamento do sargento (Gene Evans) com o garotinho coreano, mantendo a distancia correta sem nunca degringolar para o sentimentalismo barato ao mesmo tempo em que possui força suficiente para segurar a emoção até do espectador mais insensível.
Filmes de Maio
Lista do mês de Maio com revisões em negrito:Horas de Desespero (1990), de Michael Cimino ***
Heaven’s Gate (1980), de Michael Cimino ****
Death Race 2000 (1975), de Paul Bartel ***
Homem de Ferro (2008), de Jon Favreau ***
Speed Racer (2008), de Andy e Larrry Wachowski ***
A Montanha dos Sete Abutres (1951), de Billy Wilder ****
Viver e Morrer em Los Angeles (1985), de Willian Friedkin ****
Parceiros do Crime (1980), de Willian Friedkin ****
The Bank Job (2008), de Roger Donaldson ***
Doomsday (2008), de Neil Marshall ***
Viagem ao Mundo dos Sonhos (1985), de Joe Dante ***
Cat People (1982), de Paul Schrader ****
Colossus 1980 (1970), de Joseph Sargent ****
Flesh for Frankenstein (1973), de Paul Morrissey ***
Prince of Darkness (1987), de John Carpenter ****
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008), de Steven Spielberg ***
Last Days (2005), Gus Van Sant ****
Les Chansons D’Amour (2007), de Christophe Honoré ***
Les Chansons D'Amour (2007), de Christophe Honoré

Marcadores: Honoré
Cruising, aka Parceiros do Crime (1980), de Willian Friedkin
Al Pacino vive um policial que trabalha sob disfarce homossexual para investigar e prender o responsável pela onda de assassinatos de boiolas que assola a cidade e que anda saindo na primeira página dos jornais pelas manhãs. Mas para o diretor Willian Friedkin o que interessa mesmo é a incursão que o personagem faz pelo submundo hardcore gay e como tudo isso afeta o seu psicológico, ou seja, é o típico caso que o cabra vai ter que sentar no divã quando tudo acabar se não vai acabar jogando no outro time, embora isso fique apenas na ambigüidade, o que de certa forma acabou com as chances comerciais do filme. Melhor para os fãs do diretor que acabou apresentado um material subversivo e perturbador cheio de imagens homoeróticas desconfortáveis, como na cena surreal do negão de cueca e chapéu que dá um tapa na cara do protagonista. E é preciso admirar o trabalho de Pacino ao se comprometer com um projeto como este. Provavelmente uma das atuações mais elaboradas de sua carreira, sem os excessos agressivos que lhe deram fama, mas um desempenho complexo, intimista que me impressionou bastante.Marcadores: Friedkin
Sydney Pollack




R.I.P
1934 | 2008
Prince of Darkness (1987), de John Carpenter
Este exercício de gênero, provavelmente, é um dos trabalhos mais assustadores de John Carpenter, que retorna com o esquema do espaço limitado para acentuar o clima de suspense. Basta lembrar-se de Assault on Precinct 13, The Thing ou da igreja em The Fog. A igreja, aliás, é o cenário de Prince of Darkness onde uma equipe de alunos e professor são convocados por um padre para estudar uns antigos manuscritos religiosos e um cilindro contendo um conteúdo verde de sete milhões de anos. Todos estes artefatos se encontram na tal igreja abandonada e eram segredos guardados por uma sociedade católica. Interessante é ver como Carpenter explora a idéia do caos - que poderia levar ao fim do mundo - numa situação menor, com poucos indivíduos envolvidos, em um único cenário, e têm toda a responsabilidade nas mãos de salvar o mundo da destruição (sem apelar para as catástrofes hollywoodianas). Por isso não deixa de ser um exercício de gênero carregado de elementos do cinema fantástico como zumbis possuídos, ficção iconoclasta e viagem no tempo, detalhes que Carpenter se aproveita com criatividade no uso das trucagens, na forma como utiliza os espaços dos cenários para criar a sensação de enclausuramento e na sacada dos vídeos/mensagens das imagens do futuro que aparecem como sonhos para os habitantes da igreja.
Marcadores: carpenter
Cat People (1982), de Paul Schrader

Marcadores: Schrader
Enquanto isso...


Marcadores: Argento

Doomsday (2008), de Neil Marshall: Terceiro longa do diretor de Dog Soldiers e Abismo do Medo, este novo trabalho de Neil Marshall chupa as idéias principais de Mad Max, de George Miller e Fuga de Nova York, de John Carpenter (não chega a ser coincidência dois personagens se chamarem Carpenter e Miller) para dar uma atualizada no universo dos filmes pós-apocalípticos, da mesma forma que os italianos faziam na década de oitenta. A única pretensão de Doomsday parece ser contextualizar os elementos do subgênero e saciar a sede de sangue dos fãs do gore. Marshall ignora todas as questões existencialistas que poderia abordar para ressaltar a sua filosofia do sangue, das mutilações, contagem de corpos, etc. O filme peca pelo excesso de informações apresentadas com pressa exagerada. Como se a escolha do diretor fosse de fazer um filme curto, mas aproveitando todas as idéias possíveis. O resultado é um filme gordo sem base pra tanto, mas não deixa de divertir com a ação alucinante que compensa as falhas.Marcadores: Donaldson, Marshall
8 Angry Men
Convido aos frequentadores daqui, que dêem uma conferida no material. O primeiro tema é Westerns Subestimados. Eu colaborei com as resenhas de Os Quatro do Apocalipse, de Lucio Fulci e Quando os Brutos se Defrontam, de Sergio Sollima.



