8 de agosto de 2008

Novo Blog

Pronto! Não demorou muito. Já está no ar o...

Dementia 13

31 de julho de 2008

Muito bem, meus caros amigos, a verdade é que não sinto mais prazer nenhum em escrever sobre os filmes que eu vejo. Não quero ficar me justificando e nem gostaria de fechar o blog, mas já é segunda vez que desabafo o meu desanimo por aqui.

Um dos motivos é que o blog não é somente meu e nunca foi. Eu abri com um amigo, o Felipe Mappa, um excelente escriba, e que resolveu abandonar o blog há quase um ano, ou mais. Eu tenho carregado isso aqui nas costas como se fosse meu, mas eu nunca me senti a vontade. Tanto que já tentei abrir outros blogs, o Horror Express, o Cine Groove, mas manter dois blogs sobre o mesmo assunto é besteira. Sei que isso não é motivo pra abandonar um blog, mas perdi completamente o tesão de escrever para um domínio chamado Cine Art que era uma idéia de dois amigos cuja proposta já perdeu o sentido.

Hoje, eu me vejo na obrigação de postar alguma coisa apenas pra manter o blog atualizado ao mesmo tempo em que a falta de inspiração me atormenta e prejudica a qualidade dos meus textos, que nunca foram de boa qualidade. O fato é que pra escrever um texto medíocre como este aí em baixo de Cinturão Vermelho, eu gastei um tempo desgraçado. Antes eu escreveria algo do mesmo nível, mas em questão de minutos. Há meses que isso vem acontecendo, não é de agora. Não sei se é uma crise de inspiração, mas cansei.

Infelizmente, e escrevo com sinceridade, porque já são mais de dois anos que abrimos este espaço e quase cinco usando o mesmo nome, o Cine Art não voltará a ser atualizado por mim. Encerro aqui o “trabalho” que prestei na exteriorização da paixão que eu tenho pelo cinema e que se tornou um fardo. Se o Felipe quiser algum dia voltar a atualizar, eu ficaria grato e com certeza voltaria a colaborar aqui, pois tudo teria sentido novamente.

Com certeza não vou abandonar os blogs que eu visitava e nem mesmo conseguirei ficar muito tempo sem escrever, isso eu garanto, nem que seja um monte de porcaria como tem sido, mas definitivamente será em outro espaço. Eu aviso quando esse dia chegar.

Ronald Perrone

Cinturão Vermelho (2008), de David Mamet

Já que o Futebol brasileiro não anda muito bem das pernas, David Mamet coloca o Brasil como o país do Jiu-Jitsu, e talvez seja isso mesmo atualmente. Além de escalar atores brasileiros para compor o elenco, o entrecho gira em torno do esporte em questão, aliás, o próprio diretor é praticante, mas o que importa mesmo e o filme realmente concentra-se é na trajetória de Mike, um professor de Jiu-Jitson que possui uma integridade moral inabalável colocada à prova durante todo o tempo. Dívidas e corrupção são apenas dois itens de uma porção que o personagem enfrenta. A redenção vindo à base da porrada é algo meio estranho de se ver num filme que aparentemente caminhava por um outra direção, mas funciona muito bem, além de colocar de volta o nome do diretor entre os grande diretores do cinema independente americano.

30 de julho de 2008

Não sei se vocês se lembram do Carranca. Eu publiquei alguns textos dele aqui no blog e a sua intenção sempre foi de causar controvérsia tecendo suas opiniões negativas sobre os filmes que a maioria gosta. Agora ele ataca com um blog próprio e ninguém vai ser capaz de segurar o Carranca!

Quem quiser fazer uma visitinha, é só entrar aqui.

28 de julho de 2008

Punisher: War Zone


Beatrice Cenci (1969), de Lucio Fulci

Dentre todas as obras cinematográficas cometidas pelo pai do gore, o diretor italiano Lucio Fulci, esta aqui era justamente a sua preferida, mesmo não tendo a mesma violência extrema de filmes posteriores nem ser do gênero que o consagrou, ainda assim, Beatrice Cenci não deixa de ser um de seus trabalhos mais perturbadores. A história se passa na Itália do séc. XVI onde Beatrice, a filha adolescente de um nobre senhor feudal é abusada sexualmente pelo próprio pai. Sendo assim, ela decide assassiná-lo com a ajuda de algumas pessoas, incluindo um criado interpretado pelo grande ator cubano Thomas Milian. O filme inicia após esses acontecimentos quando uma investigação, à base de tortura, por algumas vezes, é realizada para apurar o caso, o que permite uma incrível liberdade narrativa com o material. As cenas de tortura compensam um pouco a ausência de violência e gore habitual, mesmo que isso não seja uma falta, já que o filme inteiro é uma aula de direção, enquadramento e composições estéticas que explicam a obsessão do diretor com o próprio filme.








25 de julho de 2008

Cinzas que Queimam (1955), de Nicholas Ray

Ray faz dois filmes dentro de um em Cinzas que Queimam. Logo no início, somos apresentados ao protagonista, o único de três policiais que se arruma para mais uma jornada de trabalho sem ajuda de uma esposa. Ele se arruma sozinho, não tem mulher nem filhos, é o policial solitário e amargurado pelo passado, típico herói do noir. A primeira metade de projeção, onde o tal policial, vivido por Robert Ryan, investiga um crime, o diretor constrói às bases do noir, com direito a todos os elementos caracteristicos, muitas ruas escuras, sombras estilizadas e uma direção primorosa que chega a utilizar de forma inusitada a câmera na mão em algumas seqüências. Até aqui já teríamos material suficiente para um ótimo filme.

Mas a instabilidade emocional do próprio personagem faz com que a narrativa tome outra direção e vá parar num cenário campestre, uma paisagem coberta de neve onde o policial é enviado e inicia ali um novo caso, uma outra investigação e um outro filme. Gradativamente, o noir já estabelecido cede lugar para um romântico melodrama policial com a entrada em cena de Ida Lupino, uma cega cujo irmão é procurado por um crime e por quem o policial se apaixona (pela mulher, não o irmão) e acaba revendo seus conceitos éticos na maneira de agir.

Essa catarse faz muito bem ao filme, que foge às regras do noir tradicional e torna-o belo. Ray possui domínio tanto nos ambientes urbanos sufocantes, quanto nas paisagens campestres a céu aberto. A direção de atores é ótima, eles próprios estão muito bem, principalmente Ida Lupino. Aliás, ela chegou a dirigir algumas cenas enquanto o diretor esteve doente, algo que não faz muita diferença no resultado, já que tudo funciona perfeitamente, até mesmo o final otimista imposto pelo estúdio.

23 de julho de 2008

A Liga dos Blogues Cinematográficos já está preparando sua lista dos melhores filmes do primeiro semestre.
Como ainda não havia publicado a minha lista como fiz nos dois anos de existencia do blog, segue a lista que eu enviei pra Liga com os meus filmes favoritos em ordem de preferência:

1. Sangue Negro, de P. T. Anderson
2. Onde os Fracos não têm Vez, Ethan e Joel Coen
3. Antes que o Diabo Saiba que Você está Morto, Sidney Lumet
4. Senhores do Crime, David Cronenberg
5. A Espiã, Paul Verhoeven
6. 4 meses, 3 semanas e 2 dias, de Cristian Mungiu
7. Wall-e, Andrew Stanton
8. Paranoid Park, Gus Van Sant
9. Juno, Jason Reitman
10. O Gangster, Ridley Scott

22 de julho de 2008

House of Bamboo (1955), de Samuel Fuller

Um dos filmes mais brilhantes de Fuller, principalmente porque ele parte de uma trama policial passada no Japão que justifique preencher todo o scope com imagens refinadas esteticamente que faz questão de filmar ao ar livre nas locações, nas ruas movimentadas de Tóquio em plena década de 50 (tornando-se o primeiro filme de Hollywood a filmar no local), ao invés de utilizar estúdio como era habitual, revelando um estilo de direção que ainda viria aparecer algum tempo depois na Nouvelle Vague francesa. Me agrada muito as cores cruas e a cinematografia realista de Joe MacDonald, principalmente nas externas.

Robert Stack interpreta um agente americano trabalhando sob disfarce em Tóquio para se infiltrar numa quadrilha chefiada por um ameicano, vivido por Robert Ryan, que está incrível como vilão. Aparentemente, Fuller queria Gary Cooper no lugar de Stack, mas a sua presença não deixaria de ser notada nas ruas de Tóquio por causa da fama consolidada. Mas Robert Stack, um ator menos popular serviu perfeitamente no papel do herói humanista Fulleriano.

E agora que aprendi a brincar de tirar screenshots, não pude resistir:







20 de julho de 2008

Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008), de Chistopher Nolan

Heath Ledger realmente estava no ápice de sua arte de interpretar e eu não ficaria surpreso se ganhar o Oscar pelo seu trabalho em O Cavaleiro das Trevas. Se é que podemos chamar a sua encarnação do Coringa somente de interpretação. Ledger vendeu a sua alma ao personagem. O que ele apresenta, desde a sua primeira aparição em cena (com a sádica mágica de fazer a caneta desaparecer) vai além dos limites da representação psicótica do mal. É um monstro cujas ações levantam dilemas morais diante de seus inimigos. Ao longo de todo o filme, ele concebe engenhosas situações que forçam Batman, o Comisário Gordon e o promotor Harvey Dent a tomarem impossíveis decisões de ética.

Jack Nicholson já era. Ledger definiu o Coringa para o cinema. Esperem no mínimo vinte anos antes de levar o personagem às telas de novo. Talvez até lá surja alguém com capacidade dar a vida por um papel como este.

Tirando o Coringa, o que resta em O Cavaleiro das Trevas é um ótimo de filme de ação que demonstra o amadurecimento de Nolan ao conduzir com maestria uma trama grandiosa, muito mais complexa que o habitual, repleta de personagens importantes que possuem o devido espaço durante a narrativa. Além disso, todas as idéias do diretor que deram certo e errado em Batman Begins, em relação à sua visão realista, entram em perfeita sintonia em O Cavaleiro das Trevas, criando um universo verossímil onde um homem fantasiado de morcego pode sair à noite para combater o crime.

Todas essas questões sobre verossimilhança e os desdobramentos da história com os personagens têm profundidade suficiente para mais uns 10 parágrafos. Recomendo o texto do amigo Leandro Caraça, que escreveu em seu blog as melhores impressões que eu li sobre o filme.

18 de julho de 2008

Watchman Trailer

A graphic Novel Watchman, escrita por Alan Moore, é o tipo de material que deveria ser colocado num altar para que todas as noites acendam uma vela. Não posso julgar um filme que ainda não vi, mas até que o primeiro trailer da adaptação ficou interessante. Só espero que Zack Snyder não decepcione e entregue um filme que no mínimo justifique a adaptação.


Amantes Constantes (2005), de Philippe Garrel

Finalmente parei pra assistir o maravilhoso Amantes Constantes, filme de 2005 do francês Philippe Garrel. Embora seja o único filme acessível do diretor aqui no Brasil atualmente, Garrel iniciou sua carreira lá nos anos 60 com um estilo bastante peculiar ficando conhecido como um enfant terrible do cinema francês. Já consegui outros filmes do diretor via downloads pela internet, mas por enquanto fiquemos com os Amantes Constantes, uma belíssima obra de arte que me surpreendeu muito pela sua qualidade técnica e ousadia.

É uma experiência cinematográfica das mais significantes acompanhar este épico de quase três horas de duração sobre as manifestações de maio de 1968 em Paris vista pelo ponto de vista de vários personagens, mas em especial de um poeta vivido pelo filho do diretor, o ator Louis Garrel. Apesar de servir como excelente registro das manifestações, Garrel acaba desmistificando a representação do jovem revolucionário que após os momentos de revolta, são apresentados como pessoas de esperança duvidosa, ociosas e drogadas vivendo numa furada idealização artística.

Um dos principais atrativos é a riqueza visual filmada num preto e branco expressionista pelas lentes do cinematógrafo William Lubtchansky e, por vezes, acompanhada do piano minimalista de Jean-Claude Vannier recriando de forma realista e cristalina não só a ambientação de um período passado, mas uma narrativa quase documental sobre os desdobramentos das situações vividas naquele momento, principalmente o tratamento dado ao amor que nasce entre o poeta e a escultora nesse universo.

A câmera de Garrel trabalha admiravelmente acompanhando as evoluções sentimentais das quais os personagens se entregam, não somente os dois pombinhos, que é o maior leitmotiv da narrativa, mas todos os personagens em questão em suas andanças, conversas vazias, festas monótonas regadas de ópio e na dança alucinante ao som do The Kinks até chegar ao desfecho alegórico, melancólico e perfeito. O ritmo lento e a duração podem desagradar o espectador desavisado, mas é de uma ousadia grandiosa, já que dificilmente vemos nos dias de hoje um diretor com coragem de lançar um filme de três horas de duração, preto e branco e poeticamente lento como Garrel faz em Amantes Constantes.


15 de julho de 2008

DEEP END (1971), de Jerzy Skolimowski: Os filmes americanos dos anos setenta podem até serem responsáveis por desencadear uma das mais importantes explosões estéticas do cinema, mas um filme como o brilhante Deep End comprova que o cinema europeu nunca perdeu a força. Com tons de humor negro, trata com autenticidade temas sobre descobertas sexuais e do amor desenfreado sem nunca cair no senso comum dos filmes adolescentes americanos. Além de ser uma experiência estética fascinante acompanhar a câmera energética do diretor polonês Jerzy Skolimowski se movimentando pelas ruas atmosféricas de uma Londres cinzenta no inverno.

12 de julho de 2008

Um Mundo Perfeito (1993), de Clint Eastwood

Galã de filmes convencionais, Kevin Costner me surpreendeu muito neste trabalho do velho Clint que, inicialmente, queria Denzel Washington como protagonista. Não seria tão surpreendente, já que a cara de bobo e o olhar distraído de Costner contribuíram bastante para o tom ambíguo que o seu personagem exigia, o que poderia soar caricato em Denzel.


O filme é um road movie onde Butch (Costner), um ladrão que escapa da penitenciária, acaba tomando como refém um garoto de uns 8 anos para garantir a sua fuga, o que leva à uma jornada onde bandido e refém estabelecem uma relação que evoca seus passados, toca dois universos diferentes e estrutura um filme muito mais complexo e interessante que aparenta ser.

Sem dúvida alguma, é um dos trabalhos mais maduros de Clint Eastwood que acerta em cheio ao colocar como peça fundamental a relação dos dois personagens. A estrutura narrativa que rege todas as situações entre Butch e o garoto é de uma sutileza que poucos diretores americanos teriam a sensibilidade de conceber.

Nas mãos de um Spielberg (que originalmente estava escalado para assinar a direção) poderia se considerar um desastre. Principalmente porque um dos temas que o filme aborda é justamente uma das obsessões do diretor de E.T.: trauma fraterno. Ambos os personagens centrais o têm. Mas enquanto Clint possui sabedoria e sutileza suficiente para abordar essas questões, spielberg já banalizou o tema em seu currículo.

8 de julho de 2008

Notas breves...

Funny Games USA (2007), de Michael Haneke: Haneke realizou novamente um filme com força suficiente para chocar o público com as situações extremamente incômodas e com as inúmeras e delicadas questões que aborda (banalização da imagem, violência, etc), mas para quem já viu a versão original, não passa de uma reprise.

WALL·E (2008), de Andrew Stanton: A Pixar em seu ápice cinematográfico, tanto em termos de estrutura e linguagem narrativa quanto na explosão estética da animação em computação gráfica.

O Incrível Hulk (2008), de Louis Leterrier: Ainda não havia comentado sobre o filme. Não há duvida que centrar a narrativa na ação é muito mais cabível para os produtores cujo objetivo era de arrecadar mais moeda, diferente do Hulk psicológico de Ang Lee. E ainda funciona como ótima diversão.

Conan – O Bárbaro (1982), de John Millius: O grau de exigência com os filmes, com certeza aumentou desde a ultima vez que assisti essa belezura na infância. Revê-lo depois de tanto tempo superou todas as exigências. É tudo o que um Senhor dos Anéis da vida poderia ter sido, mas não conseguiu nem chegar perto.

F for Fake (1974), de Orson Welles: Em um de seus filmes mais pessoais, Welles vomita todo o desabafo que estava entalado desde que entrou no ramo das artes, manipulando um joguinho de "verdadeiro ou falso" com o seu público desnorteado de tanto vigor cinematográfico. F for Fake é apenas mais uma, dentre as tantas obras primas de um dos maiores diretores americanos.


6 de julho de 2008

The Addiction (1995), de Abel Ferrara

Esta semana assisti essa belezura do Abel Ferrara, e apenas reafirmo que, provavelmente, se trata do seu filme mais metafísico-filosófico-religioso sobre o mal enraizado na natureza humana, tema que já faz parte do repertório de obsessões que o diretor explorou em muitos trabalhos. E mesmo se existissem vampiros (mas sei lá, vai que existe), definitivamente não seriam tão realistas quanto à abordagem de Ferrara sobre o assunto. Um dos melhores filmes do diretor.

4 de julho de 2008

Filmes de Junho

Lista dos filmes do mês de Junho com revisões em negrito:

Robocop (1987), de Paul Verhoeven ****
Capacete de Aço (1951), de Sam Fuller *****
Baionetas Caladas (1951), de Sam Fuller ****
Profissionais do Crime (2001), Johnnie To e Ka-Fai Wai ***
Quem Bate a Minha Porta? (1967), de Martin Scorsese ***
Fim dos Tempos (2008), de M. Night Shyamalan **
O Incrível Hulk (2008), de Louis Leterrier ***
Funny Games USA (2007), de Michael Haneke ****
Cockfighter (1974), de Monte Hellman ****
Fausto (1926), de F. W. Murnau ****
Os Aventureiros do Bairro Proibido (1986), de John Carpenter ****
Conan - O Bárbaro (1982), de John Millius ****
F for Fake (1974), de Orson Welles *****
Zombie Strippers! (2008), de Jay Lee ***

2 de julho de 2008

Bainoetas Caladas (1951), de Samuel Fuller

Mais um bom filme de guerra de Sam Fuller. O roteiro desta vez faz um estudo de personagens menos intenso em relação a Capacete de Aço, embora ainda seja um filme bastante psicológico. Basta acompanhar o drama do cabo (Richard Basehart) com fobia de responsabilidade. É a personagem mais humana, tanto em construção quanto em essência e seus conflitos mentais são lapidados à medida em que seus superiores são abatidos em batalha e acaba ficando responsável por todo pelotão.

Baionetas Caladas foi rodado no mesmo ano que Capacetes de Aço, ambos têm como pano de fundo a Guerra da Coréia, mas é justamente neste aqui que Fuller dá uma aula de como orquestrar seqüências de ação que garantem um clímax energético via montagem dinâmica e muitos closes expressivos, gerando um clima tenso que estrutura toda a narrativa durante o filme.

26 de junho de 2008

Muito trabalho, projetos pessoais e da faculdade têm me tomado muito tempo, inclusive pra cuidar da criança aqui. A delonga foi por causa disso e peço desculpas por ficar mais de uma semana sem atualizar. Mas até que consigo ver um filme ou outro nos fins de semana, como essa belezura aí em baixo:

Cockfighter (1974), de Monte Hellman: Não chega ao nível de Two-Lane Blacktop, mas é tão bom quanto, e ainda prova que Monte Hellman teve crucial importância para o cinema independente americano nos anos 60 e 70. Cockfighter é uma obra subversiva que parte do conceito do homem em crise tentando superar seus limites trazendo um excelente Warren Oates encarnando um treinador de galos de briga.

As cenas dos galos se enfrentando violentamente em contraste com a frieza dos treinadores são impressionantes e causam um choque visual repugnante, embora reze a lenda (segundo o nosso amigo Leandro Caraça) de que Hellman se recusou a filmar as cenas dos galos brigando e o produtor Roger Corman chamou o diretor Lewis Teague pra fazer o trabalho sujo.

Mas o melhor de Cockfighter é a presença de Oates como protagonista. Sua personagem faz voto de silêncio depois de ouvir que fala e bebe demais e durante quase toda a projeção carrega o filme com expressão corporal e muita presença, agindo sempre em silêncio para atingir seus objetivos da mesma forma que seus galos de briga. Oates foi um dos atores mais virtuosos que já entrou na frente de uma câmera, sem sombra de dúvida (e é uma pena ser tão esquecido pela nova safra de cinéfilos).

18 de junho de 2008

Fim dos Tempos (2008), de M. Night Shyamalan

Talento e incompetência parecem caminhar juntos quando se trata de M. Night Shyamalan. Em Fim dos Tempos idéias geniais são estragadas na execução por conta de escolhas que ele faz, como a carga dramática imposta à narrativa sem ter a mínima noção de como fazer, transformando tudo num poço de sentimentalismo que provoca vergonha alheia com os bons atores desperdiçados (cadê o Mark Whalberg de Os Infiltrados?) expressando diálogos absurdos encenados num universo de detalhes medíocres que só engordam o entrecho.

Em determinada sequencia a câmera dentro do carro com um olhar subjetivo constrói um clima de suspense interessante mostrando escadas encostadas nas árvores enquanto o veículo vai adentrando a pequena cidade até revelar os corpos das pessoas que se enforcaram. Mas toda a atmosfera que Shyamalan cria é quebrada abruptamente com um estrondo da trilha sonora com o simples objetivo cretino de induzir o susto na platéia. Um artifício ridículo de um diretor que não confia na própria imagem.

E tudo isso é uma pena porque nas mãos de um diretor mais inteligente, o mesmo material, provavelmente, soaria menos constrangedor.



Stan Winston

R.I.P.
1946 | 2008

13 de junho de 2008

Capacete de Aço (1951), de Samuel Fuller

Sob o comando de outro diretor, daria pra fazer de Capacete de Aço uma enxurrada de sentimentalismo que encheria os olhos do público e engrandeceria os soldados americanos em plena Guerra da Coréia. Ao invés de todo esse clichê, Sam Fuller entregou um melancólico e seco estudo de caráter humano onde o cenário da guerra é apenas um motivo para que as personagens sejam cuidadosamente apresentadas, exploradas e desenvolvidas ao máximo para extrair toda tridimensionalidade concreta diante da tela. Na verdade, nem existe aqui uma história definida com início, meio e fim, mas sim uma jornada que leva a um templo budista onde se passa quase toda projeção, um lugar que transcende o ambiente de guerra e dá um tom onírico que transforma o filme num exercício visual de sonho.

Mas o melhor, provavelmente, é a maneira como Fuller constrói o relacionamento do sargento (Gene Evans) com o garotinho coreano, mantendo a distancia correta sem nunca degringolar para o sentimentalismo barato ao mesmo tempo em que possui força suficiente para segurar a emoção até do espectador mais insensível.

8 de junho de 2008

Filmes de Maio

Lista do mês de Maio com revisões em negrito:

Horas de Desespero (1990), de Michael Cimino ***
Heaven’s Gate (1980), de Michael Cimino ****
Death Race 2000 (1975), de Paul Bartel ***
Homem de Ferro (2008), de Jon Favreau ***
Speed Racer (2008), de Andy e Larrry Wachowski ***
A Montanha dos Sete Abutres (1951), de Billy Wilder ****
Viver e Morrer em Los Angeles (1985), de Willian Friedkin ****
Parceiros do Crime (1980), de Willian Friedkin ****
The Bank Job (2008), de Roger Donaldson ***
Doomsday (2008), de Neil Marshall ***
Viagem ao Mundo dos Sonhos (1985), de Joe Dante ***
Cat People (1982), de Paul Schrader ****
Colossus 1980 (1970), de Joseph Sargent ****
Flesh for Frankenstein (1973), de Paul Morrissey ***
Prince of Darkness (1987), de John Carpenter ****
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008), de Steven Spielberg ***
Last Days (2005), Gus Van Sant ****
Les Chansons D’Amour (2007), de Christophe Honoré ***

4 de junho de 2008

Les Chansons D'Amour (2007), de Christophe Honoré

Belo exemplar de cinema parisiense. Enfatizo Paris porque é difícil de imaginar Les Chanson D’Amour em outra cidade. Christophe Honoré filma as ruas parisienses de maneira inspirada, uma mistura de imagens realistas - como as dos créditos iniciais - com a Paris cinematográfica de Demy, Truffaut e Godard. Este último aliás, é alusão para o romance moderno vivamente explorado pelo diretor, principalmente com Uma Mulher é uma Mulher, embora o tema do relacionamento à três seja tratado aqui com mais detalhes improváveis para a década de 60. Honoré realiza um cinema de referencias buscando desenvolver seu próprio cinema cujas marcações imprevisíveis tornam Les Chanson D’amour sublime, como substituir e expressar musicalmente os sentimentos óbvios do amor, morte e perda, ao invés de encená-los com a artificialidade hollywoodiana ou como a Paris filtrada serve de cenário para momentos musicais onde os próprios atores cantam com um realismo não convencional.

31 de maio de 2008

Cruising, aka Parceiros do Crime (1980), de Willian Friedkin

Al Pacino vive um policial que trabalha sob disfarce homossexual para investigar e prender o responsável pela onda de assassinatos de boiolas que assola a cidade e que anda saindo na primeira página dos jornais pelas manhãs. Mas para o diretor Willian Friedkin o que interessa mesmo é a incursão que o personagem faz pelo submundo hardcore gay e como tudo isso afeta o seu psicológico, ou seja, é o típico caso que o cabra vai ter que sentar no divã quando tudo acabar se não vai acabar jogando no outro time, embora isso fique apenas na ambigüidade, o que de certa forma acabou com as chances comerciais do filme. Melhor para os fãs do diretor que acabou apresentado um material subversivo e perturbador cheio de imagens homoeróticas desconfortáveis, como na cena surreal do negão de cueca e chapéu que dá um tapa na cara do protagonista. E é preciso admirar o trabalho de Pacino ao se comprometer com um projeto como este. Provavelmente uma das atuações mais elaboradas de sua carreira, sem os excessos agressivos que lhe deram fama, mas um desempenho complexo, intimista que me impressionou bastante.

28 de maio de 2008

Sydney Pollack




Pois é, ele fez algumas coisas boas também...

R.I.P
1934 | 2008

26 de maio de 2008

Prince of Darkness (1987), de John Carpenter

Este exercício de gênero, provavelmente, é um dos trabalhos mais assustadores de John Carpenter, que retorna com o esquema do espaço limitado para acentuar o clima de suspense. Basta lembrar-se de Assault on Precinct 13, The Thing ou da igreja em The Fog. A igreja, aliás, é o cenário de Prince of Darkness onde uma equipe de alunos e professor são convocados por um padre para estudar uns antigos manuscritos religiosos e um cilindro contendo um conteúdo verde de sete milhões de anos. Todos estes artefatos se encontram na tal igreja abandonada e eram segredos guardados por uma sociedade católica.

Interessante é ver como Carpenter explora a idéia do caos - que poderia levar ao fim do mundo - numa situação menor, com poucos indivíduos envolvidos, em um único cenário, e têm toda a responsabilidade nas mãos de salvar o mundo da destruição (sem apelar para as catástrofes hollywoodianas). Por isso não deixa de ser um exercício de gênero carregado de elementos do cinema fantástico como zumbis possuídos, ficção iconoclasta e viagem no tempo, detalhes que Carpenter se aproveita com criatividade no uso das trucagens, na forma como utiliza os espaços dos cenários para criar a sensação de enclausuramento e na sacada dos vídeos/mensagens das imagens do futuro que aparecem como sonhos para os habitantes da igreja.

22 de maio de 2008

Cat People (1982), de Paul Schrader

Em 1942, ano da primeira versão de Cat People (dirigido por Jacques Tourneur), a história tinha peso suficiente para impressionar o público, algo que não teria o mesmo efeito no público mais moderno de 40 anos depois. Em sua refilmagem, o diretor Paul Schrader resolveu imprimir um estilo condensado na imagem visual e no teor erótico para segurar o público oitentista. Schrader é mais conhecido pelos seus roteiros (Táxi Driver, por exemplo), como diretor é um verdadeiro artesão e conta a história com extrema beleza cinematográfica, utilizando tons fortes, atmosfera carregada com elementos de terror (e gore) e um ar onírico que separa os níveis de fantasia e realidade da trama. Mas a essência de tudo se encontra em Nastassja Kinski representando seu papel com presença, muita sensualidade e excessos dosados que a torna a própria pantera em forma humana. Difícil encontrar outra atriz que desempenhasse o papel de forma tão instintiva (recentemente aconteceu o mesmo caso com Asia Argento em Boarding Gate, de Olivier Assayas). No Brasil, o filme recebeu o título de A Marca da Pantera.

21 de maio de 2008

Enquanto isso...



...Dario Argento vai preparando Giallo, uma das obras mais aguardadas dos próximos anos.

18 de maio de 2008

The Bank Job (2008), de Roger Donaldson: Não sei se vocês sabem, mas duas coisas que eu tenho fetiche no cinema são pôsteres e filmes de ação policial dos anos 70. Foi amor à primeira vista quando vi a arte setentista no pôster do filme e sem nem saber do que se tratava ou quem era o diretor, coloquei pra baixar, antes de procurar essas informações. Mas o tom anos 70 impresso no pôster e na recriação de época para por aqui. The Bank Job é bem modernão em termos de direção, ritmo, trilha sonora, fotografia e roteiro, detalhes que remetem, em alguns momentos, aos filmes de Guy Ritchie. E não vejo problema algum nisso, já que se trata de um dos melhores exemplares do subgênero assalto a banco dos últimos anos.

Doomsday (2008), de Neil Marshall: Terceiro longa do diretor de Dog Soldiers e Abismo do Medo, este novo trabalho de Neil Marshall chupa as idéias principais de Mad Max, de George Miller e Fuga de Nova York, de John Carpenter (não chega a ser coincidência dois personagens se chamarem Carpenter e Miller) para dar uma atualizada no universo dos filmes pós-apocalípticos, da mesma forma que os italianos faziam na década de oitenta. A única pretensão de Doomsday parece ser contextualizar os elementos do subgênero e saciar a sede de sangue dos fãs do gore. Marshall ignora todas as questões existencialistas que poderia abordar para ressaltar a sua filosofia do sangue, das mutilações, contagem de corpos, etc. O filme peca pelo excesso de informações apresentadas com pressa exagerada. Como se a escolha do diretor fosse de fazer um filme curto, mas aproveitando todas as idéias possíveis. O resultado é um filme gordo sem base pra tanto, mas não deixa de divertir com a ação alucinante que compensa as falhas.

16 de maio de 2008

8 Angry Men

No Orkut existe uma comunidade chamada Cinéfilo Doentes, do qual eu faço parte. No mês passado, surgiu a idéia de se criar um espaço para que os membros publiquem resenhas dos filmes que assistem segundo determinado tema. Foi assim que surgiu o 8 Angry Men. Visual ainda bem simples, textos amadores (inclusive há um meu), mas todos apaixonados pela sétima arte.

Convido aos frequentadores daqui, que dêem uma conferida no material. O primeiro tema é Westerns Subestimados. Eu colaborei com as resenhas de Os Quatro do Apocalipse, de Lucio Fulci e Quando os Brutos se Defrontam, de Sergio Sollima.